3 motivos para odiar o filme A Escolha Perfeita 2

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Confesso que eu estava louca para assistir ao filme A Escolha Perfeita 2, mas alguns detalhes dele me desanimaram muito. Por isso resolvi contar sobre eles por aqui.

Selecionei três pontos em que dois conversam muito entre si. Sendo eles as piadas machistas e ufanistas feitas pelo apresentador dos concursos de acapella, o John, interpretado por John Michael Higgins. Depois os estereótipos que o filme prega em várias personagens e ações. E, claro, a triste realidade de que a Escolha Perfeita 2 é apenas uma repetição do primeiro filme.

1. História fraca do filme A Escolha Perfeita 2

Primeiro, vamos entender o que acontece no enredo do filme. A Escolha Perfeita 2 é um musical, então, os personagens estarão cantando o tempo inteiro (não como em HSM, mas estarão). Já comece a assistir pensando nisso.

No primeiro filme elas ganharam e se tornaram um grupo de acapella super conhecido. Tanto que começaram o segundo filme cantando no aniversário do presidente. Mas, algo no segundo atrapalha esse reinado absoluto.

Se pararmos para pensar, o início do filme é o mesmo do primeiro. Já que no primeiro uma das integrantes do grupo atrapalha a apresentação quando vomita no palco. No segundo a Amy perde uma parte da calça, deixando partes íntimas à mostra. Isso tudo durante apresentações que foram as que marcaram o início da realização do mesmo desejo. Elas começam a correr atrás para conseguir o reconhecimento que perderam.

Dessa forma, como no primeiro, elas precisam mostrar que são melhores para conseguirem seu lugar ao sol. A diferença desse para o outro é que o grupo não se modificou totalmente, apenas uma integrante foi adicionada, a Emily. Ela é considerada um legado, já que sua mãe era integrante do grupo das Bellas décadas atrás.

Além disso, outro detalhe que é muito igual ao primeiro filme, é a disputa que fazem com vários grupos cantando acapella. Ela também acontece no primeiro filme e é justamente uma nova integrante, no caso a Beca, quem canta para ajudar o grupo. Enquanto a Emily, no segundo filme, só atrapalha.

Veja abaixo como foi a cena da disputa no primeiro filme.

Cadê a motivação da equipe?

Esse é um dos motivos para achar que a escolha da nova integrante não modificou em nada o grupo por inteiro. Ela seria o “chamariz” de uma nova animação ali dentro, mas que não a encontramos.

Alguém que a Emily auxilia muito é a Beca, quando precisa encontrar uma “nova voz” para o seu trabalho, mas não sei do que adianta mostrar um trabalho que ela mesma não escreveu. Vai entender…

Emily adora escrever músicas autorais, enquanto os grupos de acapella só cantam covers. Essa discussão foi interessante, mas não ocorreu de verdade no filme, só ficou subentendida. Isso a partir do momento em que Beca, que canta acapella, precisava compor músicas autorais. Algo que vai totalmente ao contrário do que faz no grupo.

Voltando as repetições, na cena em que fazem planos, o grupo canta justamente uma das músicas também do primeiro filme, chamada “When I’m gone”. Quiseram realmente repetir tudo o que, tecnicamente, “deu certo” no primeiro. Fazer o que?

2. Estereótipos

Foi só comigo ou você também ficou irritado com os estereótipos pregados no filme? Eu fiquei pensando no que havia por trás de criar uma personagem coreana em que ninguém a “escutava” ou “entendia” porque ela falava muito baixo. Foi uma crítica real dos Estados Unidos ao país dela? Fica aí a dúvida.

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Fica claro que talvez seja uma crítica aos coreanos quando, na apresentação do mundial, Gail ressalta que “quem é que se interessa pelo que os coreanos tem a mostrar?”. Veja a cena abaixo.

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A forma como retratam imigrantes

Outro estereótipo que me incomodou muito foi o da imigrante Flo que sempre tinha uma história de vida muito triste para comparar com a das meninas.

Flo sempre completa as frases das outras do grupo quando estavam conversando de uma forma deprimente. Deixando a vida sofrida dos imigrantes super estereotipada. Como se na vida no país dela, tudo se resumisse a tristeza e a doenças ruins.

Na cena em que estão contando o que pretendem para o futuro por exemplo, Flo revela assim:

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É como se a própria personagem que ela faz ironizasse e criticasse a situação dos imigrantes, sendo que ela mesma é uma imigrante. Parece muito mais uma visão distorcida do que os americanos pensam sobre ser um imigrante.

Se querem fazer um personagem diferente do que estão acostumados, please, estudem sobre ele, por favor! Ou garantam alguém que tem experiência com eles para ajudar no roteiro do filme.

Na apresentação inicial também, por exemplo, os apresentadores falam sobre a situação dela e é nítido que eles “não estão nem aí”.

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3. Piadas ufanistas e machistas

Ufanismo parece aquela expressão que estudamos em história mas que nem existe mais. Se engana quem pensa dessa forma, já que o atual presidente dos Estados Unidos possui atitudes assim diariamente. Para quem já se esqueceu, ufanismo é um patriotismo exagerado que chega a exaltar o seu país e criticar tudo ao seu redor. Como se o cidadão utilizasse uma viseira de cavalo, que não o deixasse enxergar nem valorizar outras culturas além da dele.

Chega a ser ridículo a forma como esse ufanismo é retratado no filme já que o apresentador John e a outra, a Gail (que também faz a direção de A Escolha Perfeita 2) mostram isso na forma como tratam os outros participantes do concurso Mundial de acapella. Sinceramente não sei que cobertura é essa que eles estão fazendo que tratam outras culturas de forma tão ridicularizada.

Coloquei dois exemplos do tratamento que eles fazem no filme A Escolha Perfeira 2 durante o texto, tanto se tratando dos coreanos quanto dos imigrantes.

Machismo no filme A Escolha Perfeita 2

Mas não é apenas de ufanismo que vive o apresentador John, ele também possui vários traços machistas. Que, sinceramente, não sei como são suportados por Gail. Ela finge que todos são muito naturais e não revida nenhum. Apesar de tentar. Separei alguns para observarem também.

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Sério, precisam dar um jeito nesse apresentador no próximo filme. Isso porque, acredite se quiser, o filme fez tanto sucesso (como?) que ganhou um terceiro para a franquia. E é desse ano, hein? Só para vocês terem uma ideia, o filme A Escolha Perfeita 2 foi a comédia musical que mais rendeu lucros, ultrapassando o filme Escola do Rock.

Interessante eles ganharem dinheiro em cima da difamação de outras culturas e da exaltação da americana. O mais triste é que esse filme é direcionado para um público bem específico e que é consideravelmente jovem. Até quando eles continuarão pregando essa soberania americana?

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Tem outras partes do filme que também retratam essa relação do estadunidense com outros países, como, por exemplo, quando as Bellas viajam para apresentar o mundial e estão caminhando pelas ruas. Uma delas chega a perguntar a razão de um americano querer sair do seu país, chamando o que estavam de sujo e fedorento.

O que você acha dessa crítica em relação ao filme A Escolha Perfeita 2? Acha que isso é só uma forma de mostrar algo normal na cultura dos americanos ou uma forma deles fazerem mais uma piada em cima do modo como eles tratam essas diferentes culturas? Isto é, será que é uma crítica ou apenas mais um filme de comédia com piadas rasas? Mande nos comentários!

Até o próximo post,
Beijos
-Aninha Carvalho

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