Livro: Azul da cor do mar

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Azul da cor do mar

Já imaginou se apaixonar por alguém que apenas viu, mas nunca chegou a cumprimentar, conversar e dizer as cinco palavras essenciais: “oi”, “prazer” e “me chamo ciclano”. Mas a vida prega essas peças e com certeza tem uma razão pra tudo. Só não vale ficar se remoendo pela conversa que não rolou e a troca de olhares que evitou ou não teve coragem de iniciar.

Isso aconteceu com Rafaela quando estava prestes a completar onze anos, em suas férias de janeiro em Iriri, Espírito Santo. Ela passou seus dias, dali por diante, escrevendo textos sobre o que poderia ter acontecido entre os dois, poemas e até cartas para o tal garoto que resolveu denominar, por nunca saber o seu nome, de Garoto da Mochila Xadrez. Ele possuia olhos tão azuis, um tal “Azul da cor do mar” que dá nome ao livro.

Rafaela agora está na faculdade de jornalismo da PUC, a mesma instituição e curso que eu estudo e que a autora do livro, Marina Carvalho, também estudou. Por ser estudiosa e muito talentosa, Rafa acabou conseguindo uma indicação para trabalhar no jornal Folha de Minas, que se revela como o melhor do estado. Ela passa na seleção para estagiar com sua área preferida: jornalismo investigativo.

Como nada na vida é fácil – e nem o salário de estagiário (como Rafaela reclama algumas vezes) – seu companheiro de investigação, Bernardo, se mostrou alguém esnobe, chato e bem egoista. Pra mim Bernardo só estava tentando fazer a Rafaela ter maior dinamismo e coragem na profissão, além de soltar algumas piadinhas para quebrar o clima tenso. Mas para ela, ele fazia isso tudo só para irritá-la e como a garota tem pavil curto, já viram né? E nessas partes a história fica bem blé, isso porque a Rafaela parece ter 11 anos de idade ainda.

Fora isso, achei engraçado o detalhe que todos os caras que ela se interessa possuem olhos azuis, adivinhem porquê? Rafaela ainda é apaixonada pelo garoto que viu na praia, que tinha olhos azuis e procura em todos os garotos o mesmo olho “azul da cor do mar” de seu amado. Meio maníaca ne? Amores de verão, pessoal! Alguns podem marcar uma vida inteira.

O livro possui 28 capítulos e no início de cada um deles há uma dica relacionada ao jornalismo. Do primeiro ao vigéssimo quarto as dicas foram retirados do Manual de Redação da folha de São Paulo e o restante, do 25 ao 28, do Manual de Redação do Jornal O Globo. Curti bastante todas e se quiserem posso transcrevê-las aqui para vocês, só pedir nos comentários.
A história é realmente envolvente mas esperava um final mais inesperado. O tal garoto da mochila xadrez ainda está presente em toda a trama, mas parece mais uma “Estória” (ficção) de cinema que nunca aconteceria na vida real. Só lendo para entender o que estou falando. Se o propósito foi nos envolver com a profissão, dar dicas de jornalismo, sobre amizade e até realçar que lembranças nem sempre são ruins, a autora está de parabéns.
A maioria dos livros e filmes mostram jornalistas que não obtiveram tanto sucesso na carreira. Com certeza esse livro me animou bastante e me deu dicas bem legais sobre o que pode rolar de bom e ruim dentro de uma redação e no cotidiano dos profissionais da área. Apesar de ser um romance dá para aproveitar e curtir a rotina, que pelo menos eu, quero ter por um bom tempo nessa profissão.

Quem aí leu: “Azul da cor do mar”?
+ Leia a resenha do livro “Simplesmente Ana” da autora pontenovense Marina Carvalho

Até a próxima resenha,
Beijos,
-A

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