Filme Loucamente Apaixonados: será que o amor aguentaria toda essa distância?

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Resenha crítica do filme Loucamente Apaixonados (Like Crazy)

Quando eu era mais nova, lembro de assistir ao mesmo filme diversas vezes. Decorar as falas e já saber exatamente o que aconteceria. Depois que cresci comecei a menosprezar isso e raramente assistia duas vezes ao mesmo filme – apesar de já ter começado a assistir à série Pretty Little Liars mais de 10 vezes – Mas a questão é que “ver de novo” parou de fazer parte da minha rotina… até ontem.

Eu tinha como filme preferido “Like Crazy” (Drake Doremus, 2011) em português “loucamente apaixonados” e achava que era porque na época eu namorava à distância. Depois que assisti ao filme ontem reparei que a minha ideia de que era um filme muito triste, justamente pela distância, passou. Por isso, eu resolvi fazer uma resenha mais realista do que eu pensei ao assistir “Like Crazy” novamente.

O que mais me impressiona em filmes de romance, e que me fazem gostar cada vez mais deles, é a sintonia que existe entre o casal principal. Aquele sentimento que te faz querer aquele romance para você, que te faz querer viver aquilo. No início da história de Loucamente Apaixonados eu queria aquele romance pra mim, mas depois, tudo foi perdendo a razão.

A história do filme Loucamente Apaixonados

Anna e Jacob estudam na mesma universidade e se conheceram lá. Acabaram se apaixonando um pelo outro de uma forma que chegou a ser infantil.

Eu comecei a me incomodar, ao longo do filme, com o fato deles quase não conversarem. A sintonia que criaram foi tão grande que eles se entendiam pelo olhar. Poderia colocar o filme no mudo que o sentimento ali continuaria existindo.

Mas a Anna estava estudando em Los Angeles e não era de lá, era da Inglaterra. Com isso, quando terminasse o curso deveria voltar para o seu país. Ela tentaria tirar o visto de novo, arrumaria um trabalho em Los Angeles, mas ela precisaria ir embora primeiro.

Na verdade, ela deveria ter ido embora naquele primeiro momento, quando o visto perdeu a validade. Mas não foi. E as consequências desse ato impensado dela rodearam toda a trama do filme.

Não vou dizer que é culpa dela, mas Anna sabia. Só não tinha a imensidão do quão ruim aquela situação poderia ficar caso ela deixasse que o visto expirasse ainda em Los Angeles.

Mas ela o fez. Ficou com Jacob durante quase 3 meses e eles possuem até um gif super fofo deles simplesmente dormindo durante todo esse tempo.

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Depois disso, Anna voltou para casa para tentar, uma semana depois, retornar a Los Angeles. Mas ela não conseguiu entrar, não chegou nem à alfândega, foi barrada. Ela não voltou para os braços do seu amado e foi ali que tudo começou a desandar.

Primeira dificuldade

Quando se namora à distância o fuso horário é algo que pode ser muito prejudicial, mas nada a ponto de fazer um casal perder totalmente o contato. Mas foi o que aconteceu.

Os horários deles simplesmente não batiam e eles decidiram viver a vida um sem o outro. Parecia que foi um fim meio em consenso, sabe? “Não estamos conseguindo nos comunicar, eu não consigo entrar em Los Angeles, então, nosso namoro acabou”. Simples assim.

Por que só a Anna?

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Esse é o local de trabalho de Jacob, onde ele desenvolve as cadeiras em Los Angeles

O que ficou me incomodando e ainda me incomoda pela forma como o filme terminou, foi o fato dela sempre querer ir para Los Angeles, mas dele nunca querer ir para a Inglaterra.

Era óbvio. Se ela não consegue ir como imigrante para os Estados Unidos, ele, como era americano e não tinha perdido visto algum, poderia tentar imigrar para a Inglaterra. A resolução de todo o problema era muito simples. Mas não acontece isso e o Jacob simplesmente nem pensa a respeito.

Me dá um ódio só de pensar que toda a situação do filme poderia ter sido contornada com uma simples mudança de planos. Se a Anna não consegue imigrar, Jacob imigra. Era simples. Mas na cabeça dele e nos sonhos dele, uma mudança de local não faria sentido algum. E não fez.

Namorar outras pessoas

O que eu considerei mais engraçado e muito real, foi pensar na distância entre eles e nas possíveis relações que poderiam acontecer em outro lugar. Como assim eles iriam “parar” as suas vidas pelo outro? Eles não tinham possibilidade alguma de conseguirem morar juntos no mesmo país. Era zero a chance.

Mas o que eles sentiam era maior que isso. Ou, pelo menos, era para ser…

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Momento em que Anna propõe que eles namorem outras pessoas no filme Loucamente Apaixonados

Segunda dificuldade

Em uma das vezes em que Anna convida Jacob para visitá-la notamos que há uma fisgada de ciúmes. Apesar deles terem plena consciência de que não estavam em uma relação à distância, eles tinham um sentimento de posse muito bem aflorado. Tanto que a pergunta que mais estraga a viagem é se ela teria ou não dormido com outros homens enquanto ele estava fora. Ela evitou responder essa pergunta e ele também.

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Após se reencontrarem começam a perguntar o que o outro fez enquanto estavam longe

Nesse primeiro momento ficou como sendo uma situação que ocorrera e que eles não se orgulhavam daquilo.

Os pais de Anna, que sabiam de todo esse sofrimento com a questão do visto, aconselharam para que eles se casassem logo. Afinal, o casamento com alguém que more no país seria a forma mais simples de se conseguir um visto. Mas isso deixou Jacob desconcertado. Não sei se porque Anna pareceu indiferente, mas porque ele, de certa forma, sabia que era uma decisão muito importante. Foi a partir dali e do retorno de Jacob para casa dele que tudo perdeu um pouco o controle (outra vez).

Outra vida à distância

Sobre a questão de ficarem com outras pessoas, por exemplo, foi abordada de uma maneira bem real. Dela perguntando para ele se não gostaria que fosse assim. Afinal, ela não queria que ele pensasse que “não estava vivendo” já que eles estavam morando muito distantes.

A princípio a reação dele foi bem parecida com a que eu teria. Como assim, você tem interesse por outra pessoa? Mas eu entendi bem o que ela quis dizer e foi exatamente o que eles deveriam ter feito. Porém, fizeram tudo errado. Um errado que talvez tenha dado certo, mas que machucou muitas pessoas pelo caminho.

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Jacob e sua nova namorada

Imagine que chegou a um ponto deles estarem morando com outras pessoas e namorando com elas, vivendo como se fossem casados. Isso tudo enquanto o coração deles pertencia a outra pessoa. Eles não estavam 100% com esses novos amores, mas persistiram nisso. Um preenchimento de um vazio que eles sabiam que não estava sendo preenchido. O pior, é que neste período Jacob e Anna simplesmente sumiam um da vida do outro. Como se não se conhecessem.

Isso chegou a me irritar muito porque eles se gostavam, estava na cara, mas não conseguiam lidar bem com a situação.

Decisões importantes

Anna sempre se mostrou a fim de tirar esse visto desde o início, queria e faria de tudo para ter Jacob com ela a todo o tempo. Mas eu não senti isso muito vindo dele. Era sempre ela que tinha que mudar de país, ela que tinha que largar o emprego dos sonhos depois de ter ganhado uma promoção, ela que tinha que ir atrás dele. Como se ele já estivesse acomodado com tudo.

Eu fico imaginando o quanto essa relação não se desgastou ao longo desse período. O quanto eles tiveram que seguir firmes no que sentiam, esconder do mundo e até fingir que estava tudo bem quando não estava. Tudo isso, para voltar para uma relação que os fazia bem, mas que foi tão custosa para dar certo.

É como se tivessem lutando diariamente para que aquele sentimento não morresse. Para que aquelas memórias do início do namoro, não se apagassem.

Distância e presentes de despedida

Antes da mudança dela, ele deu uma pulseira com a palavra “paciência” porque era isso que eles precisariam. Enquanto ela deu um diário com todas as lembranças do namoro deles. Além disso, Jacob fez uma cadeira para Anna, que é jornalista, e escreveu “like crazy” embaixo dela.

Significado de Like Crazy (nome em inglês do filme Loucamente Apaixonados)

Like Crazy é o nome do filme e acredito que seja justamente porque foi o início do namoro, o modo como eles se conheceram e se amaram, que fez tudo ser diferente.

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Momento em que Anna deixa a carta de amor no carro de Jacob

Quando se conheceram ela fez uma carta enorme para ele e no final pediu para que não pensasse que era louca. Colocou a carta no vidro do carro e esperou pela resposta. Ele achou engraçado e ligou para o número dela a convidando para sair. Foi ali que tudo começou, uma carta em que ela se achava louca por expor tudo o que sentia. E foi essa loucura que os motivou todo esse tempo. Mesmo com outras pessoas, eles ainda continuavam pensando um no outro.

Eles tinham essa conexão que parecia boba no início, mas que era real. Ela existia e mesmo que eles não acreditassem, superou toda essa distância ainda viva.

Conclusão

A narrativa do filme é bem lenta, mas isso é bom para que possamos entender e interpretar cada um dos sentimentos deles.

Aquelas cenas em que se olham por longos minutos são as que mais marcam, porque ficar encarando, sorrindo e conversando com os olhos é algo muito romântico. Coisa de pessoas que são loucamente apaixonadas.

Lidar com relacionamentos à distância não é nada fácil, acredito que Anna e Jacob poderiam ter reagido muito melhor. Mas só o fato deles conseguirem se reencontrar e ficarem juntos, para mim, já responde uma dúvida que era primordial: será que eles realmente se amavam? Pelo visto a resposta desde o início era sim.

O que achou do filme Loucamente apaixonados? Mande nos comentários!

FOTOS: Reprodução de cenas do filme

3 Responses
  • Silvia Motta
    setembro 22, 2017

    Oi Ana, esse filme também mexeu muito comigo, porque eu também tive um relacionamento à distância, que naufragou, justamente por causa, da tão famigerada: distância.
    Mas eu diferente de você, achei o fim do filme triste (cuidado quem não viu o filme vou dar um spoiler); porque justamente quando no fim ela resolve largar tudo e ir para Los Angeles para ficar com o Jacob aquela cena dos dois no banho e o olhar dela para ele me deram a impressão de que o sentimento já não era o mesmo. Naquele momento de intimidade alguma coisa me disse que ela se arrependeu. teria valido a pena tamanho sacrifício por esse amor?
    Perder um emprego bacana, mudar de cidade, largar tudo e todos? A impressão que tive é que depois de tanta luta para ficar juntos, nenhum dos dois pareceu feliz no final. O final do filme não foi “e eles foram felizes para sempre”. os dois se entreolham no banho e o olhar de ambos é vazio, vago, tristonho. Cadê aquela alegria de estar juntos, para onde foi o olhar apaixonado? Vem na lembrança de ambos, mas não reside mais naquele momento a dois. A paixão “louca” se perdeu pelo caminho Londres x LA.
    Bom, enfim, essa foi apenas a minha visão do filme. Mas ainda assim para quem viveu uma relação a distância, esse filme gera uma catarse. Recomendo, pois é um filme que fala de amor, da maneira mais real possível. Seria o amor capaz de sobreviver à distancia e ao abandono de tudo e todos por uma pessoa? Nada como a rotina juntos, a cobrança e a vida real para responder tal pergunta. Abraço!

    • Ana Clara Carvalho
      setembro 22, 2017

      Exatamente, Silvia, ficou um clima muito estranho entre eles. Essa parte em que pensam e lembram de todo o início do relacionamento – que foi o que os motivou a estar ali naquele momento – me fez pensar “será que valeu a pena”? Eles se amam sim, claro, ninguém se muda de cidade, deixa o emprego e vai começar uma vida nova por insistência de uma outra pessoa. Mas será que era o mesmo amor que eles achavam que sentiam no início? Quando eles lembram de todo o começo até ficam emocionados, porque era aquilo que eles queriam quando insistiram em ficar juntos, aquela alegria toda. Mas parece que não é o mesmo sentimento.

      Até o nome do filme, “loucamente apaixonados”, justamente o termo que Anna usa no início para falar que gostava de Jacob na carta e o que ele também usa para escrever na cadeira. Uma forma de mostrar que era isso, o passado deles, que os motivava o tempo inteiro. Tando que Anna fica grudada com a cadeira e com a pulseira que ele deu durante todo o filme, porque eram memórias, justamente memórias do passado que a mostravam que “um dia existiu amor” e era por ele que ela lutaria.

      Eu acredito que casais podem viver vários tempos de relacionamentos. Aqueles que vivem do que rolou no passado, os que vivem do agora, o presente, e aqueles que só planejam o futuro. Anna e Jacob viviam justamente apenas do passado. E acredito que esse foi o maior erro deles. Já que as pessoas mudam, os sonhos mudam e os nossos objetivos de vida também. Viver do passado nunca é o melhor caminho.

      Mas, será que a saída de Anna do banheiro não significou um arrependimento? Acredito que se existisse um segundo filme, Anna e Jacob não seriam um casal. Mas que existiu amor, isso eu não tenho dúvida. Mas se hoje existe? Acredito que esse vai-e-vem atrapalhou tudo.

  • Silvia Motta
    setembro 22, 2017

    Oi Ana, vou te recomendar outro filme com o Jude Law e a Norah Jones que se chama: Um beijo roubado (My blueberry nights). Esse filme é de 2007, já meio velhinho, mas é muito bacana também. Fala de paixão, perda, solidão e recomeço.
    Ele também me provocou muito. Se tiver oportunidade assista! Eu adoraria ler suas impressões sobre ele!
    Abraço

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