Saudade dos meus avós: Mais uma lágrima rola sobre minha face

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Sinto muita saudade deles. Mais uma lágrima rola sobre minha face. O sentimento que mais me caracteriza nessa hora é o de dor e perda. Não ter vocês aqui comigo, só me faz pensar que poderia ter passado mais tempo ao lado de vocês. Ido mais vezes ao parque, saído mais e visitado vocês mais.

Saudade do que não volta mais

A dor que mais doí em meu peito agora é a que eu nunca mais verei vocês.  Doí muito em meu peito essa sensação de não poder tocar suas mãos e dizer: “Bença vô , Bença vó”. E ver seus rostos felizes, sorrindo para mim. A minha maior alegria hoje seria, saber que vocês não morreram e que vão ficar aqui comigo pra sempre. E nunca me abandonarão.

Ah, que sonho seria ouvir suas vozes de novo, meu Vô, sorrindo pra mim e dizendo: “Oh, Ana Clara” e me abraçando.  E ter a vista da minha vô, deitada na minha cama, mesmo que doente, mas era bom te-la por perto. Não soube aproveita-los bem e me da vontade de morrer quando lembro disso.

Saudade de ter vocês comigo

Até hoje me lembro dos dias mais tristes da minha vida, que foi quando da maneira mais trágica descobri que tinham morrido. Primeiro foi o meu avô, que morreu em casa. Não entendo até hoje como, mas só sei que meu tio chegou lá em casa de madrugada, gritando meus pais. Quando meu pai chegou na porta meu tio contou o que havia acontecido.

Era de madrugada e eu tinha acordado com o meu tio chamando meu pai, foi horrível. A pior sensação de todas, foi como se uma parte de mim tivesse ido com ele. Como viveria sem meu pai comigo? Imagino como o meu pai se sentiu.

Como ele deve ter ficado triste. Mas não tenho coragem de abraça-lo e dizer: “pai, eu estou com saudade do vovô!”. Eu sei que ele lembra dele toda hora e ficaria mais triste ainda de eu ficar falando nele.

No dia do enterro, a única coisa que me fez suportar a dor de vê-lo deitado naquele caixão foi ouvir minha tia dizendo que ele ainda iria levantar de lá, porque ele ainda estava vivo.

Tudo que eu mais queria naquela noite

Sei que parece ridículo mas foi a melhor coisa que eu ouvi naquele dia, a melhor de todas. Até o fim da noite eu ainda estava esperando ele acordar, me dar um abraço e rir de tudo aquilo. Mas isso nunca veio a acontecer…

Agora vem a pior parte, depois de um ano que meu avô morreu, minha avó, fica doente e vai morar na minha casa. Se hospeda no meu quarto e era a melhor sensação do mundo a ver lá porque eu sabia que ela ia ficar bem. Eu sentia dentro de mim que ela não iria ir embora. Não assim!

Esperança que virou saudade

Um dia, quando ela já havia mudado de casa e estava morando no barracão debaixo da minha com medo de me atrapalhar. Mas eu sinceramente não ligava. Ela me disse o que tinha, que estava com câncer em dois lugares. Não me lembro bem, mas eu disse pra ela que ela ia ficar bem. Que ela era forte e que tudo ia melhorar , mas não.

Ela não acreditava em mim, dizia que era muito raro alguém ter isso e não morrer. E eu tentava converse-la que ela ia melhorar. Até que chegou o dia da minha missa de formatura, eu fui… sai depois e quando voltei pra casa, a ambulância estava lá para busca-la porque ela estava passando mal.

Se eu soubesse que seria o último dia que eu a veria com vida… Ah quantas coisas eu diria pra ela. Ah quantos abraços eu daria nela e beijos em seu lindo rosto com olhos azuis e cabelos negros. Impossível de esquecer.  Depois desse dia, comecei a escrever no meu diário/agenda em todos os dias em que ela esteve no hospital: “VÓ, NÃO VAI EMBORA!”.

De repente

Porém dias depois o pior aconteceu. Minha família de Ponte nova estava hospedada em minha casa. Quando o telefone tocou minha mãe chamou todos menos eu e minhas primas para entrarmos no quarto.

Logo percebi, minha avó não está bem. Minha mãe sai do quarto e diz que vai visitar a minha avó no hospital e que ela não está nada bem. Eu vou para o quarto do meu irmão, minha mãe sai com o resto do pessoal. Mas resolve não me contar nada, com medo de me fazer sofrer. Soube disso meses depois quando estava pirada no inicio do ano, cheia de problemas e minha mãe me levou pra psicóloga, o que não vem ao caso.

Pior ligação

Então eles saem, fico sozinha com minhas primas, o telefone toca e era a mulher do trabalho do meu pai. Com a maior cara de pau me diz: “Oi, aqui é a diretora da escola do seu pai, liguei pra perguntar que horas será o velório da mãe dele!” Penso na hora: Quê? minha avó morreu e eu sou a última a saber? Por que isso e por que comigo? Não agora, não ela não pode ter ido assim!

O dia começa a passar mais devagar. Minha mãe começa a demorar a chegar. Quando ela chega prefiro esperar que ela me conte o que aconteceu.

Despedida

Ela, então, me conta. Começamos a chorar juntas. Depois começo a sentir uma cólica enorme e a me contorcer na cama. Meu primo me ajuda me abanando. Mas, ela havia mesmo morrido. Então, mais cedo ou mais tarde teríamos que ir ao cemitério nos despedir dela.

Então fomos, com  cara, a coragem e o coração partido de dor. Meu pai como sempre, chorando por dentro. Acho que nunca o vi chorando realmente. Não entendo porquê.

Então, lá estávamos. Queria prolongar a despedida para ser a mais longa que eu podia. Mas minha cólica estava me matando. Junto com a dor de estar no velório de minha tão linda e amada avó.

Hora de dizer adeus

Então começo a dormir no colo da Nelia. Depois de um tempo eu acordo, recebendo uma mensagem de uma amiga dizendo que iria lá me ver e foi. Não sei o que seria de mim se não tivesse visto a carinha linda dela. Sorrindo pra mim naquele dia tão difícil. E visto o meu namorado também que foi com ela para lá. Neste momento percebi que nunca me deixaria sozinha, nunca!

Então, chega a hora e eu tinha que entrar para vê-la. Finjo que vou jogar o embrulho do chicletes fora e entro na sala. Lá está ela, linda, nem parecia estar morta. Começo a olhar para ela e começo a chorar e pensar em tudo que podia ainda ter conversado com ela.

E principalmente ter dito que a amava com todas as minhas forças juntas !  Quando eu pensava que não poderia ficar pior, chega o carrinho que leva o caixão para onde deve ser enterrado. Começa uma “procissão” pelo cemitério até um lindo campo onde iam enterrá-la.

A pior parte de sentir saudade é lembrar de como foi a despedida

Foi a pior sensação do mundo ir atrás de um carrinho que estava levando sua avó morta. A última pessoa no mundo que você quer presenciar morta aos quatorze anos. Mas, lá estava eu. Atrás daquele bendito carro. Aos prantos chorando como nunca chorei na vida por alguém, depois da morte do meu avô.

Vendo tudo de pertinho, ela sendo enterrada, jogarem terra por cima de seu agora quarto. Si é que pode-se chamar isso de quarto, sendo então enterrada para eu nunca mais vê-la. Ah como eu queria que isso fosse mentira!

Como queria que nada tivesse mudado e eles estivessem aqui ao meu lado, sorrindo pra mim. Estranha sensação que chega as vezes de felicidade como se eles de algum modo ainda estivessem cuidando e me protegendo. Quem dera eu poder vê-los de novo.

Amo vocês demais meus avos queridos, sempre  ♥

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