Resenha: Diga sim ao Marquês, de Tessa Dare

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Resolvi mergulhar em um romance histórico quando decidi ler um dos livros da série Castles Ever After, de Tessa Dare. Cada livro possui uma história independente e eu escolhi o segundo dele, chamado “Diga sim ao Marquês“.

O nome já é bem sugestivo e, sim, é como se fosse um pedido de alguém suplicando que dissesse sim ao Marquês. O livro se volta para essa aceitação mas aborda questões importantes que nos fazem pensar sobre o que faríamos se estivéssemos naquela situação. E, poxa, será que aguentaríamos?

História do livro Diga sim ao Marquês

A personagem principal do livro Diga sim ao Marquês é Clio, jovem de 25 anos que há 8 espera o retorno do noivo para casar-se com ela.

Imagine a situação. Primeiro que nessa época as pessoas não costumavam se casar por amor. Segundo que ela descobriu que não fazia sentido nenhum se casar com alguém que nem ao menos conhecia. E terceiro que ouvir fofocas sobre as novas datas do casamento a deixavam magoada. Ela já não aguentava mais aquela situação.

Clio, então, criou uma capa, um escudo protetor que lhe rendeu amadurecimento. E, assim, passou a conseguir analisar toda aquela situção profundamente. E ela teve tempo até de perceber que aquilo estava bem errado.

O início do livro começa quando ela já percebeu que aquela situação não poderia continuar. Então, ela vai atrás de Rafe, irmão de Piers, seu noivo. Rafe é um lutador de boxe que se distanciou da família há anos.

Naquela noite ele iria fazer algo do qual poderia se arrepender. Mas Clio chegou na hora e impediu que o pior acontecesse. Ela foi atrás de Rafe para que ele assinasse uns documentos de dissolução do noivado. Por ser da família, ele poderia assinar e cancelar tudo.

Mas por que não se casar com o Marquês?

O que mais me chamou a atenção foi o fato da personagem principal, Clio, não querer se casar com o Marquês para quem estava prometida desde os 17 anos de idade.

Parece loucura estar prometida a alguém, se formos pensar nos dias atuais. Mas precisamos nos inserir na época da história.

Ela teve 8 anos para se apaixonar por ele, mas não ocorreu nenhum envolvimento da parte do Marquês para fazer com que isso desse certo. Então, não tinha mesmo como dar.

Rafe não quer que Clio acabe o noivado com Piers, por isso pede que ela lhe dê alguns dias para fazê-la mudar de ideia.

A interferência da família

O livro não conta com flashbacks o que aconteceu antes de Clio decidir procurar Rafe. Só ao longo da história é que reconhecemos que eles já eram amigos há um tempo e que tinham, por fim, casos bem tristes relacionadas aos pais. E algo profundo entre eles.

Clio sempre teve tendência a engordar mais que as as duas irmãs. E a mãe fazia jogos para que a garota comesse menos ainda. Afinal, ela estava prometida a Piers e precisava manter a forma.

Já Rafe sempre teve vontade de ser tão amado quanto seu irmão, Piers, era pelo pai. O que ele não conseguia fazer. Ambos não possuem os pais vivos mais e já seguem seus rumos de vida sozinhos.

Os desejos de Clio

Neste período de independência, Clio comprou um castelo e estava também com planos de fazer uma cervejaria.

Uma mulher realmente à frente do tempo, já que nessa época cervejarias e negócios não eram para mulheres. Mas ela permaneceu firme no plano.

Assim como Rafe queria mostrar que se casar com Piers era o melhor a fazer. Clio queria exibir o quanto a vida dela não precisava de um marido. Principalmente um que a deixou esperando por anos e que mal a conhecia de verdade.

Os planos

O plano de Rafe era fazer com que Clio mudasse de ideia. Então, planejou dias para experimentar o vestido, pensar na decoração e em qual seria o bolo. Tudo isso para que Clio entrasse no clima do casamento e se animasse.

Já o plano de Clio era mostrar o quanto ela não precisava de um marido e no quanto os sonhos dela para o futuro eram de verdade. Mas eles não imaginavam o que viria a seguir.

É amor ou eles estão se usando?

O que Rafe não imaginava era que o que ele sentia por Clio pudesse vir à tona. Eles já se conheciam desde a infância. Clio foi a única que permaneceu insistindo para que ele comparecesse aos eventos sociais após a briga com o pai, mas Rafe nunca foi. Preferia afundar toda a raiva e inveja, que sentia do irmão, na luta.

Já Clio se mostrou animada demais com toda aquela situação. Imagine que em certo ponto do livro pude imaginar que se apaixonar por Rafe poderia ser um plano infalível dela.

O trato era o seguinte, se ao final do prazo ela não quisesse se casar mais, ele assinaria os papéis. Mas nesse período, Rafe faria de tudo para que ela quisesse se casar.

O plano era bom e Clio só tinha que aguentar toda aquela discussão sobre flores, tecidos, vestido e bolo por alguns dias até ganhar a sua liberdade. O problema começa quando Rafe e Clio se beijam pela primeira vez.

É nítico que Rafe sempre sentiu ciúmes de seu irmão e beijar a noiva dele poderia ser só mais uma forma de exibir esse sentimento. E tentar mostrar que era melhor que ele. Além disso, Clio precisava de um bom motivo para convencer Rafe a assinar os papéia. E porque não o amor entre os dois?

Inicialmente eu comecei a achar que Clio se envolvera com Rafe apenas por interesse. Parecia que a cada beijo ela queria se deslocar para o cômodo ao lado e pegar os papéis para cancelar o casamento. Mas Rafe sempre andava para trás.

Resolver tudo sozinha

Acho que li esse livro no momento certo da linha vida. Claro, talvez eu devesse ter lido quando passei por uma situação de espera tão grande quanto essa da Clio. A decisão precipitada dela e a forma como queria acabar com o relacionamento, me chamou muito a atenção

No lugar Piers

Ao me colocar no lugar de Piers, fico imaginando a reação dele ao descobrir que não era mais noivo porque o irmão dele assinou os papéis. Óbvio que Piers não gostaria de ver os dois nem pintados de ouro depois disso.

No calor do momento e dos amassos – porque sim, esse livro é erótico então as cenas de sexo e preliminares são bem explícitas – terminar dessa forma parece o certo a fazer. Mas é como se se esquecessem de todo o restante. Existe vida além deles. E começar uma relação tendo que cancelar e destruir, por exemplo, a relação de Rafe com o irmão, não pareceria certo.

No lugar de Clio

Além disso, também me coloquei no lugar de Clio. Ela ansiava por liberdade. Queria terminar esse noivado sem pé nem cabeça a qualquer custo. Mas, mesmo assim, ela conseguiu medir muito bem todos os passos dela. Com uma responsabilidade que às vezes foi exagerada para a sua idade.

E isso me mostrou que independente do calor do momento, da paixão e de tudo que possa estar envolvido, o certo a fazer precisa ser feito quando estiver com a cabeça mais tranquila e conseguir entender de verdade a situação.

No lugar de Rafe

Ao me colocar no lugar de Rafe, percebi muitos outros problemas. Ele estava confuso, confuso por amar a noiva do irmão, confuso por perder o pai no momento em que mais precisava dele, confuso por não saber como será dali em diante.

Em um dos capítulos quando decide fugir de uma festa por não conseguir se segurar e bater no cunhado de Clio, fica claro, imensamente claro, que ele a amava. Que ele faria qualquer coisa por ela. E naquela noite ele levou o que Clio mais queria. Sem nenhuma insistência dela.

Amor?

Poucas são as histórias em que notamos o desenvolvimento de uma paixão em todas as suas fases, sem correrias. Ao longo do romance de Tessa Dare eu consegui ver o quanto eles amadureceram neste amor.

Desde os dias mais efervescentes até os dias de bate papo e companheirismo. Eles passaram por tudo isso e mostraram que são realmente mais que apaixonados, são amigos. Se cuidam e gostam da companhia um do outro.

Conclusão

Se você está em dúvida sobre ler Diga sim ao Marquês, de Tessa Dare, eu daria apenas um conselho: leia. É difícil encontrar algum livro que me encante e me prenda dessa forma. Acredito que vou sentir muita falta de Rafe e Clio. E acredito que vocês sentiriam também.

Inicialmente a narrativa pode parecer mais lenta, mas depois ela pega um ritmo intenso e te faz devorar cada capítulo. É bom lembrar que se você tiver menos de 18 anos, não aconselho ler. É um livro erótico então talvez possa ser desconfortável. Nada que alguns capítulos pulados não salvem, caso queira ler mesmo assim. Apesar disso, acredito que não chegue a um nível do que dizem ser Cinquenta tons de Cinza. (Nunca li e nem pretendo, mas no nível de Diga Sim ao Marquês, para mim, já está o suficiente de erotismo, pf).

Eu gostei muito, muito, me surpreendi com a história e amei a forma de ver o mundo tão a frente do seu tempo de Clio. Ela realmente acaba se transformando em uma inspiração, uma heroína.

E ai, já leu Diga sim ao Marquês? Pretende ler? Mande nos comentários.

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